vida besta

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Agora que sua ausência é certeira e seu retorno, improvável, me pego repetindo seu nome por puro hábito, pensando em você como um mundo distante, um outro planeta, um tempo feliz quase pré-histórico.

Fico até meio perdido. À semelhança de quem chega em casa e percebe que, de uma hora para a outra, levaram embora – como que por mágica – todas as paredes que antes divisavam os cômodos e fica sem saber o que fazer com toda aquela amplidão. Tá tudo muito amplo aqui após a sua partida. Muito vazio.

Por ser grande, seu corpo ocupa bastante espaço. A sua ausência fez um buraco enorme no ar. Um buraco no formato exato do seu corpo (como quando, num desenho animado, alguém atravessa uma porta com ela ainda fechada).

Agora que sua ausência é certeira e seu retorno, improvável, só sobrou isso para mim: uma lembrança em forma de buraco vazio.