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Questões do ensino da língua

No último encontro do Grupo de Estudos, conversamos sobre o texto em que o Bakhtin fala de maneira mais direta a respeito da prática docente. Como era de se esperar, mete a lenha na forma como (no início do século passado) as aulas de língua – no caso, russa – eram ministradas. O que eu não esperava era que as críticas pudessem ainda ser aplicadas (no século 21) ao ensino da minha língua – no caso, a portuguesa. Fiquei #chatiado, admito, mas ter a verdade esfregada na sua cara é também uma possibilidade de começar um ensaio de mudança. Oremos.

De todo o texto, o trecho que mais me marcou foi este parágrafo em que Bakhtin, já quase no final, apresenta uma relação entre a passagem das séries escolares e a produção escrita dos alunos.

Os professores de língua russa conhecem por experiência que a produção escrita dos alunos sofre normalmente uma mudança muito abrupta. Nas séries iniciais, não há uma diferença significativa entre produção escrita e falada das crianças. Eles ainda não escrevem redações e ensaios sobre temas de literatura e, nas suas redações (descrições e narrações), utilizam a língua de modo bastante livre: por isso, a linguagem desses trabalhos, embora nem sempre correta, é viva, metafórica e expressiva; a sintaxe das crianças aproxima-se da fala; eles não se preocupam ainda com a correção das construções e por isso formam períodos bastante audaciosos, que por vezes são muito expressivos. Por não conhecerem nada sobre seleção lexical, o se léxico é variado e sem estilo, ao mesmo tempo que é expressivo e ousado. Nessa linguagem infantil, embora de modo desajeitado, expressa-se a individualidade do autor; a linguagem ainda não está despersonalizada.

Bakhtin em “Questões de estilística no ensino da língua”.

O ofício da docência deve ser pensado e problematizado diariamente por nós mesmos, seus executores. Cansa-me muito e enche-me de preguiça toda forma de discurso derrotista e que busca álibis para o que quer que seja. Parte da minha formação acadêmica foi nesses moldes, mas eu posso (e quero!) quebrar o ciclo e tentar diferente.

naranjo

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A.L.A.N.I.S.

Digo sempre: quer ver alguém utilizar a palavra “écletica”, pergunte “qual seu estilo de música favorito?”. Isso agora é passado, jamais acreditarei na excentricidade de mais ninguém seja o assunto que for. Para mim, daqui para sempre, múltipla, diversificada e absurdamente intrigante é apenas Alanis.

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Me põe no mesmo grupo de whatsapp que ela, pfv!