À prova de balas

desencana

This time, baby, I’ll be bulletproof. 

 

 

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Agora que sua ausência é certeira e seu retorno, improvável, me pego repetindo seu nome por puro hábito, pensando em você como um mundo distante, um outro planeta, um tempo feliz quase pré-histórico.

Fico até meio perdido. À semelhança de quem chega em casa e percebe que, de uma hora para a outra, levaram embora – como que por mágica – todas as paredes que antes divisavam os cômodos e fica sem saber o que fazer com toda aquela amplidão. Tá tudo muito amplo aqui após a sua partida. Muito vazio.

Por ser grande, seu corpo ocupa bastante espaço. A sua ausência fez um buraco enorme no ar. Um buraco no formato exato do seu corpo (como quando, num desenho animado, alguém atravessa uma porta com ela ainda fechada).

Agora que sua ausência é certeira e seu retorno, improvável, só sobrou isso para mim: uma lembrança em forma de buraco vazio.

Um desabafo antes do fim do mundo

Texto escrito por Guilherme Perez Cabral para o Uol Educação

O cenário é desolador, solitário e infeliz (mas não conte pra ninguém). Buscamos um sucesso individual que se expressa em termos de consumo. O consumo de bens, muitos bens, todos os bens: um `ter` birrento, mimado e desenfreado. Eu quero! E, para piorar ainda mais, não basta ter. Onde a imagem predomina, é preciso, acima de tudo, parecer. Mostrar para o mundo que conseguimos comprar. Parecemos felizes. Pouco importa, no fim das contas, o que somos ou poderíamos ter sido.

Guy Debord, nos idos de 1960, já falava disso. A degradação do `ser` em `ter` e, no fim da linha, em `parecer`. É o que importa, hoje: parecer. É lá que reside todo o prestígio e a função de um `ter` sem sentido, sem conteúdo.

Eis um descaminho que não nos leva a lugar nenhum. São tantas as coisas que se tornaram `necessidades`, fundamentais e prementes, pela publicidade ostensiva, vinda de todos os lados, em todo momento – o carro, o celular, a televisão, a casa, até shampoo, tudo dos sonhos. Sem eles não dá pra ser vedete. Nem sobreviver. Tudo isso, num grande teatro de mentirinha, sempre repetido, tão repetitivo como o enredo de novela. Eu canso. Amanhã, o próximo sonho de consumo, absolutamente indispensável (por pouquíssimo tempo), exposto na prateleira, revelará o quanto o anterior não tinha, no fundo, valor nenhum. As `pseudonecessidades`, incessantemente criadas, à venda no mercado, opõem-se, no fundo, à vida que não tivemos tempo de viver.

Chegamos em casa, depois de um dia de trabalho, extenuados. Passamos por diversos eventos, engolimos distintas informações. Trânsito, jornal, reunião, fast food, supermercado, fila, conta. Mas, sobrevivendo a tudo isso com pressa, no piloto automático, não experimentamos nada. Não sentimos o gosto. Não nos encontramos com os outros, que não (re)conhecemos, nem conosco (que estranhamos ao olhar no espelho). Cito a fonte, aqui. É Giorgio Agamben.

Se a felicidade está na realização de nossas vontades, num equilíbrio tênue entre nossos desejos e a capacidade de efetivá-los (isso tem um pouco a ver com a ideia de liberdade, para Schopenhauer), ela se tornou um bem inacessível. Diante de tantas necessidades e desejos, com tamanha dimensão, ainda que a felicidade fosse consumível, não teria para todo mundo.

A ordem, então, é correr. Corremos para chegar primeiro. Corremos nem sei mesmo o porquê. Cada um por si, concorremos. Sem rumo.

Para aguentar a pressão e a frustração, sejamos fortes. Chorar é sinal de fraqueza. Abraçar é para os fracos. Nem a tão importante liberação sexual fez com que nos encontrássemos. Consumimos corpos, pelo seu valor de troca, divididos entre o sonho romântico do beijo e a necessidade apressada de gozo.

É, a humanidade está carente. Valeria, agora, uma reflexão acalentadora sobre o direito à educação do afeto. A educação para o afeto, pela experiência do afeto, do cuidado, da empatia. Era minha intenção inicial. Mas, vivendo todo esse contexto, nem comovido fico mais. Vem-me à cabeça Drummond… `Mas você não morre / você é duro, José! (…) você marcha José / José, para onde?`.

RITO DE PASSAGEM

Desde a última segunda-feira – 06 de julho de 2015 – eu passei a agregar o título de Mestre ao meu nome, que, aliás, não sei se disse, vai mudar, assim como tudo por aqui (por dentro e por fora). A quem interessar possa: o meu ritual de passagem foi documentado e pode ser conferido aí embaixo.

Estou realmente muito feliz com o resultado final e particularmente impressionado com os cometários dos avaliadores. Quebrei – como SEMPRE – o protocolo e excedi o tempo (se achou grande, clica aqui) e ainda terminei com um “podem aplaudir”, seguido por um “não sei se podia mesmo aplaudir” do meu orientador.

Essa pseudoformalidade desse academicismo pedante me dá coceiras às vezes. Por isso me revolto. Sempre que faço uma gracinha, uma piadinha, uma caretinha, falo uma merdinha, um palavrãozinho, uma giriazinha exxxxperta é a minha microrrevolução contra essa baboseira toda e ninguém pode falar nada porque bitch, I’m Madonna Mestre.

Desde o início desta semana tenho imitado o Golias e arranhado a garganta com um imeeeeeenso e sonoro Ualaaaaarrrrr

Vlw. Flw. BEAJs!